IA para planejar UBS e escolas: como saber onde abrir uma nova unidade no município
Por
IPM
2 out, 2026
Tempo de leitura: 15 mins
Última atualização: 2 out às 09:13
Para saber onde abrir uma nova UBS ou escola, a inteligência artificial cruza três informações que um mapa isolado não entrega: onde as pessoas moram e para onde a cidade está crescendo, a que distância cada grupo está da unidade mais próxima e quanto uma unidade nova será usada nos próximos anos. O resultado é uma indicação de localização e de capacidade, com os fatores que a justificam. A decisão final continua com o gestor.
Em resumo:
A IA indica onde abrir uma nova UBS ou escola cruzando população, tempo de deslocamento e demanda projetada para os próximos anos.
O resultado é uma indicação de localização e capacidade, com os fatores que a justificam. A decisão continua com o gestor.
O principal limite são os dados: 35% das prefeituras apontam disponibilidade e qualidade dos dados como barreira para usar IA (TIC Governo 2025, Cetic.br).
A Dara, IA da IPM nativa do Atende.Net, é usada em Rio do Sul (SC) desde 2023 para indicar localização e capacidade de creches e pré-escolas.
Nativa do Atende.Net, A Dara, IA desenvolvida pela IPM e a primeira voltada para a gestão pública no Brasil, faz esse trabalho. Em Rio do Sul (SC), a Dara já indica onde abrir creches e pré-escolas e com que capacidade, em uma rede de 27 escolas.
A pergunta pesa porque unidade pública é decisão de longo prazo. Terreno, obra, equipe e custeio se estendem por décadas, e uma localização errada gera prejuízo nos dois sentidos: o bairro que precisava da unidade continua sem acesso, e a unidade nova opera abaixo da capacidade. Muitas dessas escolhas ainda partem da demanda aparente, como a fila que chegou ao gabinete, o terreno que está livre ou a reivindicação mais forte. A IA permite trocar a demanda aparente pela demanda medida e projetada.
As normas já apontam nessa direção. A Lei 14.851/2024 tornou obrigatório levantar e divulgar a demanda por vagas em creche para crianças de até três anos, e o novo Plano Nacional de Educação (Lei 15.388/2026) determina atender toda a demanda manifesta por creche. Para quem decide o que construir, planejar com dado deixou de ser diferencial e virou parte da obrigação.
O limite desse trabalho está nos dados, e não no algoritmo. Na pesquisa TIC Governo 2025, do Cetic.br, 35% das prefeituras apontaram a disponibilidade e a qualidade dos dados como barreira para usar IA. A mesma pesquisa mediu pela primeira vez o uso da tecnologia nos municípios: 27% disseram ter usado IA nos 12 meses anteriores.
Por que é difícil corrigir a escolha de onde abrir uma unidade?
Três erros se repetem no planejamento de rede, e todos têm a mesma origem: decidir com a informação que está à mão.
Terreno disponível no lugar do território necessário. O lote público livre ou a doação de um loteador define a localização, e o estudo de demanda vem depois, para justificar.
Demanda de hoje no lugar da demanda dos próximos anos. Uma creche dimensionada para as crianças que moram no bairro hoje já nasce pequena se o bairro está recebendo loteamentos. Uma escola dimensionada para uma coorte grande nasce ociosa se a natalidade caiu.
Média municipal no lugar do acesso real. Um indicador de cobertura satisfatório para o município como um todo pode esconder bairros inteiros distantes da unidade mais próxima.
Em Rio do Sul (SC), que usa a Dara na educação desde 2023, a secretária de Educação, Janara Mafra, definiu o objetivo como construir unidades onde realmente são necessárias, e não “elefantes brancos” que não atendem a demanda real das famílias.
Que perguntas a IA responde no planejamento de UBS e escolas?
Pergunta do gestor
Sem IA
Com IA
Onde estão as pessoas sem acesso?
Mapa de bairros e percepção das equipes
Cruzamento de endereços, setores censitários e cadastro de quem já é atendido, com tempo de deslocamento até a unidade mais próxima
Qual capacidade a unidade precisa ter?
Parâmetro único por habitante
Capacidade calculada por território, com faixa etária, vulnerabilidade e histórico de uso
Como a demanda vai mudar?
Crescimento médio da população
Projeção a partir do histórico de matrículas, atendimentos e crescimento urbano
Qual o efeito de cada alternativa?
Comparação em planilha
Simulação de cenários: abrir, ampliar, remanejar equipes ou reorganizar o transporte
Geoprocessamento e IA não competem, e a diferença entre eles é de função. O geoprocessamento mostra onde o problema está hoje, em mapas de densidade, cobertura e vulnerabilidade (o post da IPM sobre geoprocessamento em saúde detalha essa etapa). A IA com aprendizado de máquina (machine learning) acrescenta a projeção: aprende com o histórico do próprio município e estima o que tende a acontecer nos próximos anos. É nessa camada de projeção que a Dara trabalha, sobre os cadastros que a prefeitura já mantém no Atende.Net.
Quais dados a prefeitura precisa para planejar uma nova unidade?
O IBGE disponibiliza os totais de população e domicílios por setor censitário do Censo 2022, e as coordenadas geográficas dos endereços recenseados permitem saber onde ficam as unidades de saúde e quantas pessoas vivem no raio de influência de cada uma. O Censo é a base, e o retrato da cidade de hoje vem dos registros da própria prefeitura.
Dado
Para que serve
Onde costuma estar
População por setor censitário e endereços georreferenciados
Quantas pessoas vivem em cada território
Censo 2022 (IBGE)
Cadastro de pessoas e imóveis
Atualizar o retrato do Censo com a cidade atual
Sistema de gestão municipal
Rede existente: unidades, equipes e vagas
Capacidade instalada e áreas de cobertura
CNES, Educacenso e sistemas de saúde e educação
Demanda registrada: agendamentos, filas, lista de espera de creche, matrículas
Demanda manifesta e histórico de uso
Sistemas de saúde e educação
Perfil de saúde e vulnerabilidade social
Carga de doenças e prioridade de atendimento
DataSUS, RNDS, e-SUS APS e cadastros sociais
Alvarás, loteamentos e habite-se
Para onde a cidade vai crescer
Módulos de construção civil e cadastro imobiliário
Malha viária e transporte escolar
Tempo real de deslocamento
Base cartográfica municipal
Cada linha dessa tabela pode estar em um sistema diferente ou na mesma base. Quando o município trabalha com cadastro único, o cidadão que mora num bairro, usa a UBS e tem um filho na escola aparece como uma única pessoa, e a IA cruza as áreas sem extração nem reconciliação de arquivos. É assim que a Dara opera no Atende.Net. Quando os dados estão espalhados, a análise começa com meses de preparação, e o resultado envelhece assim que a carga termina.
Como a IA indica onde abrir uma nova unidade? As cinco etapas
Medir a demanda atual por território. Distribui a população por setor censitário e endereço e identifica quem já usa a rede e quem está fora dela, como crianças na lista de espera de creche ou moradores sem equipe de saúde de referência.
Medir o acesso real. Calcula o tempo de deslocamento de cada território até a unidade mais próxima, pelas vias e pelo transporte que existem, em vez da distância em linha reta.
Projetar a demanda. O modelo aprende com o histórico de atendimentos, matrículas e crescimento da cidade e estima a demanda dos próximos anos. Na saúde, segundo a IPM, a Dara projeta demanda e necessidade de profissionais com até três anos de antecedência.
Simular alternativas. Compara abrir uma unidade em cada local candidato, ampliar uma existente, remanejar equipes ou reorganizar o transporte escolar, com o efeito de cada opção sobre deslocamento e ocupação.
Decidir, validar em campo e acompanhar. O gestor escolhe, a equipe técnica verifica terreno, zoneamento e viabilidade da obra, e, depois da abertura, a ocupação real é comparada com a projeção, o que melhora o modelo.
Como saber onde abrir uma nova UBS?
Na atenção primária, a conta começa pelos parâmetros da política nacional. A PNAB de 2017 recomenda que cada equipe de Saúde da Família ou de Atenção Básica seja responsável por 2.000 a 3.500 pessoas e indica quatro equipes por UBS, para que a unidade alcance seu potencial resolutivo. Na aritmética simples, isso leva a uma UBS de referência para algo entre 8 mil e 14 mil pessoas. A própria política admite outros arranjos, maiores ou menores, conforme as especificidades do território avaliadas por gestores e conselhos.
O cofinanciamento federal usa outra régua. Pela Portaria GM/MS 3.493/2024, o parâmetro de pessoas vinculadas por equipe varia com o porte do município: 2.000 (limite de 3.000) nos municípios de até 20 mil habitantes e 3.000 (limite de 4.500) nos de mais de 100 mil.
Esses números respondem quanto, mas não onde. Para a localização, a IA cruza:
população por território e faixa etária, com peso para idosos e crianças;
vulnerabilidade social e carga de doenças crônicas;
tempo de deslocamento até a unidade mais próxima;
ocupação das equipes existentes, com agenda, fila e absenteísmo;
áreas sem cobertura (os “vazios assistenciais”).
O resultado costuma ser um conjunto de alternativas, e não um único endereço: nova UBS no território A, ampliação de equipes na unidade B ou redistribuição das áreas de abrangência. A Dara, IA da IPM, é descrita pela empresa como capaz de definir o local ideal de uma nova unidade de saúde com anos de antecedência. Para ver como o mapeamento territorial funciona, vale também o post sobre mapa de calor na saúde pública.
Como saber onde abrir uma nova escola ou creche?
Na educação, a pressão normativa é maior e mais recente. A Meta 1.a do novo PNE manda atender toda a demanda manifesta por creche e alcançar, no mínimo, 60% das crianças de até 3 anos, e a Meta 1.c prevê universalizar a pré-escola até 2028. Pela Lei 14.851/2024, estados e municípios devem fazer levantamento anual da demanda por vagas de 0 a 3 anos e organizar lista de espera, da maior para a menor vulnerabilidade socioeconômica. Identificada a demanda não atendida, os municípios devem planejar a expansão da oferta de vagas.
A lista de espera é o dado mais valioso para a localização, porque mostra a demanda manifesta, e não a estimada. Quando o cadastro registra o endereço da família, ela vira um mapa de onde as vagas faltam. A IA cruza esse mapa com a oferta existente, a população de 0 a 5 anos por território, o histórico de matrículas e o crescimento urbano, e indica onde uma nova unidade absorve mais demanda e com que capacidade. É esse cruzamento que a Dara faz em Rio do Sul para creches e pré-escolas.
O mesmo raciocínio serve para decidir onde não abrir. Em Rio do Sul (SC), a Dara também apontou quais unidades poderiam ter a operação pausada com o menor impacto para reformas, o que permitiu direcionar investimento em três escolas.
Como a prefeitura pode usar IA no planejamento de rede?
A IA para planejamento de rede já é uma realidade e a grande sacada está está no acesso aos dados do município e na capacidade dela de projetar.
Com IA nativa do sistema de gestão, a IA já faz parte do sistema que a prefeitura usa e trabalha sobre os cadastros que as secretarias mantêm: pessoas, imóveis, saúde, educação e alvarás. Os dados não são extraídos nem copiados, e as regras de acesso são as do próprio sistema. Essa é a proposta da Dara, integrada ao Atende.Net.
Cinco perguntas ajudam o gestor a comparar propostas:
A análise usa os cadastros atuais do município ou uma carga extraída em uma data específica?
A solução indica localização e capacidade, ou apenas mostra a situação atual no mapa?
A projeção considera o histórico do próprio município e o crescimento urbano?
O resultado explica os fatores que levaram a cada indicação?
Quem responde pelo controle de acesso aos dados pessoais?
Dara, a IA da IPM no planejamento da rede pública
A IPM atua no primeiro caminho. A Dara é a primeira inteligência artificial desenvolvida para a gestão pública no Brasil, lançada em 10 de maio de 2023, e é nativa do Atende.Net, plataforma de gestão em nuvem que reúne em um único sistema tributos, saúde, educação, assistência social, construção civil e as demais áreas da prefeitura. Como as secretarias compartilham o mesmo cadastro, a Dara opera sobre os registros oficiais do município, sem novas conexões nem nova digitação de dados, e herda as permissões de acesso do sistema.
Indicação de localização e capacidade para creches e pré-escolas, previsão de demanda e alocação de estudantes, em uma rede de 27 escolas e cerca de 6.500 alunos
Perguntas frequentes
Como usar IA para saber onde abrir uma nova UBS ou escola no município?
A prefeitura reúne população, rede existente e demanda registrada em uma base georreferenciada. A IA mede o acesso atual, projeta a demanda dos próximos anos e compara alternativas de localização e capacidade. O gestor escolhe entre as alternativas, e a equipe técnica valida terreno, zoneamento e viabilidade da obra.
O que é a Dara e como ela ajuda a decidir onde abrir uma unidade?
A Dara é a inteligência artificial da IPM, nativa do Atende.Net e lançada em 2023 como a primeira IA desenvolvida para a gestão pública no Brasil. Ela usa os cadastros que a prefeitura já mantém para projetar a demanda e indicar onde uma nova unidade traria mais acesso. Em Rio do Sul (SC), a Dara indica localização e capacidade para creches e pré-escolas.
Que dados a prefeitura precisa para usar IA no planejamento de unidades?
População por território (Censo 2022, do IBGE), cadastro atualizado de pessoas e imóveis, rede existente de unidades e vagas, demanda registrada (agendamentos, lista de espera de creche, matrículas) e informações sobre crescimento urbano, como alvarás e loteamentos. Quanto mais desses dados estiverem na mesma plataforma, menor o trabalho de preparação.
Quantas pessoas uma UBS deve atender?
A PNAB de 2017 recomenda 2.000 a 3.500 pessoas por equipe e quatro equipes por UBS, o que resulta em uma unidade de referência para cerca de 8 mil a 14 mil pessoas. Os parâmetros do cofinanciamento federal variam com o porte do município, e gestores e conselhos podem definir outros valores conforme o território.
A IA escolhe o terreno?
Não. Ela indica as regiões em que uma nova unidade traria mais acesso e a capacidade necessária. A escolha do lote depende de zoneamento, titularidade, licenciamento e custo de obra, que a equipe técnica da prefeitura verifica.
Como a IA ajuda a planejar creches e pré-escolas?
A lista de espera exigida pela Lei 14.851/2024 mostra onde as vagas faltam. A IA cruza essa demanda com a oferta existente, a população de 0 a 5 anos por território e o crescimento urbano, e indica onde uma nova unidade absorve mais demanda e com que capacidade. É o que a Dara faz hoje em Rio do Sul (SC).
Município pequeno consegue usar IA no planejamento de rede?
Sim, desde que os dados estejam organizados. Na TIC Governo 2025, o uso de IA foi de 22% nos municípios com até 10 mil habitantes e de 85% nos com mais de 500 mil, e a qualidade dos dados é uma das barreiras citadas. Quando a IA vem dentro do sistema de gestão, como a Dara no Atende.Net, ela parte dos registros que a prefeitura já mantém, sem projeto de integração à parte.
A IA substitui o plano diretor ou o estudo técnico?
Não. O Plano Municipal de Educação, o plano de saúde e o plano diretor continuam sendo a base do planejamento. A IA oferece dados atualizados, projeção e simulação de cenários para fundamentar essas decisões.