Por Aldo Mees*

A pandemia do novo coronavírus trouxe enormes desafios e obrigou as empresas de tecnologia a buscar novas soluções para problemas até então desconhecidos. O isolamento social é um exemplo. Ainda em abril, a revista de divulgação científica do Massachusetts Institute of Technology (MIT), uma das mais prestigiadas instituições de pesquisa e ensino dos Estados Unidos, publicou o artigo “Por que o lockdown provocado pelo coronavírus está deixando a internet mais forte do que nunca“. O texto afirmava que passamos a depender da internet “para trabalhar, estudar e para ver outras pessoas”. Em seguida, afirmava que a rede “é nossa primeira fonte de entretenimento” e apontava para uma intensa movimentação de empresas e serviços em direção à cloud computing.

De fato: a computação em nuvem se mostrou essencial para a oferta de serviços variados desde o início da quarentena. Na gestão pública não foi diferente. Resultado de pesquisas desenvolvidas ao longo de quase uma década, nosso sistema de gestão em nuvem possibilitou que centenas de prefeituras e órgãos da administração pública de estados do Sul e do Sudeste mantivessem o atendimento à população mesmo com servidores em trabalho remoto.

Para acessar serviços, bastou aos cidadãos ter acesso a um equipamento conectado à internet. Hoje, fruto de novas demandas da população e de mais e mais trabalho de desenvolvimento, já está em implantação em um município – Gravataí, no Rio Grande do Sul – o atendimento remoto com apoio de videoconferência, solução que deve aumentar a sensação de proximidade entre cidadãos e servidores públicos.
A computação em nuvem se mostrou essencial para a oferta de serviços variados desde o início da quarentena

Os desafios não param por aí. Diante de um problema gigantesco e desconhecido, prefeitos também se viram obrigados a buscar formas de melhorar a gestão de informações relacionadas ao enfrentamento da COVID-19. Sistemas de gestão próprios para isso tiveram de ser desenvolvidos e já garantem benefícios à população. Prova disso são resultados de levantamento do Centro de Apoio Técnico à Execução (CAEx) do Ministério Público do Paraná. A avaliação dos Portais de Transparência das prefeituras do estado buscou verificar como está sendo feita a divulgação dos gastos ligados à Covid-19.

Os dados foram incluídos em uma ferramenta chamada Data Covid-19 e serviram para a criação de um ranking dos municípios mais bem avaliados no quesito transparência. Entre os 30 primeiros colocados, 22 utilizam ferramenta desenvolvida durante a quarentena: um módulo do sistema de gestão pública específico para concentrar e dar publicidade aos investimentos feitos no combate ao novo coronavírus. O coronavírus traz incertezas e insegurança. Mas o setor de tecnologia mostra que isso não pode nos deixar paralisados. Temos muito a contribuir.


*Aldo Mees é presidente da IPM Sistemas, empresa de tecnologia para o setor público com unidades em Rio do Sul e Florianópolis.